Política
🇪🇸 EspanhaEstá A Entregar Um Relatório Completo?
As explicações do governo espanhol para os acontecimentos em Ceuta, quase um mês após o incidente, começam a surgir — e com elas, as primeiras contradições. A ministra da Defesa, Margarita Robles, deixou claro na terça-feira que a agência de inteligência CNI alertou em 30 de julho sobre o que estava por vir, enquanto o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, insistiu que nunca recebeu tal informação, embora tenha tido o cuidado de elogiar o trabalho dos serviços de inteligência. Concluiu que todos tinham ignorado o assunto.
A imagem de Robles e Marlaska era de soprar e sorver ao mesmo tempo. A partir daí, restam apenas hermenêuticas: o que significa informar? É entregar um relatório completo?
É apenas mais uma nota como as enviadas diariamente sobre entradas de migrantes? É verbal? Como a informação é transmitida?
É transmitida entre serviços de inteligência e forças de segurança, ou entre funcionários de nível médio dos ministérios? O alerta chega aos líderes políticos? Os ministros falam entre si?
No final da sua comparência, Robles ofereceu uma pista. Depois de notar que há muitas formas de avisar, especificou que em 29 de julho, "funcionários" dos 25 agentes da CNI estacionados em Ceuta "relataram à delegação do governo" que no dia seguinte havia um "apelo para entrar a nado, aproveitando aquela celebração no país vizinho, referindo-se ao feriado do Dia do Trono em Marrocos. Moncloa apoia a versão de Marlaska, considerando que detetar um aumento de entradas irregulares é uma coisa, e alertar para uma avalanche de dezenas de milhares de pessoas é outra.
Algumas fontes argumentam: se a CNI detetou algo assim, por que não alertou urgentemente a própria ministra? Todos concordam em admitir o aumento do fluxo de chegadas a nado em julho." Robles disse que 150 entraram por dia, e Marlaska disse mil numa semana. Isso, combinado com o precedente de 2021, talvez aconselhasse maior atenção. Conclusão: alguém não avaliou corretamente a informação disponível.
Fonte: La Vanguardia
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